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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Holst: Os Planetas - Orquestra Filarmônica de Londres - Sir Adrian Boult - EMI - Maio-Julho de 1978.

Seis semanas antes do final da Primeira Guerra Mundial, um jovem regente, Adrian Boult, estava curvado sobre uma partitura quando Gustav Holst entrou na sala dizendo que um amigo generoso havia conseguido para ele a orquestra e o coro do Queen's Hall para uma apresentação na manhã de domingo. "Nós vamos fazer Os Planetas e você tem que reger", exclamou o compositor. As partes orquestrais foram copiadas em sala de aula por alunas da Escola St. Paul, duas das quais tocaram a peça a quatro mãos para um não totalmente convencido Boult, que lutava para aprendê-la em poucos dias.
A estréia, em 29 de Setembro de 1918, levou alguns dos melhores músicos de Londres até uma sala vazia que estava sendo preparada para uma apresentação noturna. O grande ciclo celestial de Holst não exigia conhecimento astrológico. As faxineiras que limpavam os corredores largaram as vassouras em "Júpiter" e começaram a dançar. Em "Netuno", os músicos disseram ter ouvido sons de outra galáxia, com o acorde do coro feminino, que desvanece gradualmente, representando o último grau do etéreo. Os Planetas tornou-se a obra orquestral britânica mais executada e uma amostra espetacular para os aparelhos de alta-fidelidade. "Você se cobriu de glória", disse Holst, após a primeira apresentação desta obra-prima, e Boult continuou a regê-la por mais seis décadas. Ele gravou-a cinco vezes, a última e mais bem-sucedida alguns meses antes de completar noventa anos. Havia sempre certa impassividade naquele maestro inglês esbelto, de bigode espetado, que parecia o oposto da paixão. Boult, contudo, aprendera com seu mentor Arthur Nikisah como extrair um clímax maciço de um movimento curto, e suas variações de luz e sombra são literalmente de outro mundo. Cada planeta, em sua visão, exibe uma coloração distinta, e os ecos da guerra em "Marte" e "Vênus" não poderiam ser mais explicitos, refletindo o período turbulento que eles haviam vivido. Já "Saturno, o portador da velhice" não é um patético hóspede num asilo, mas um homem digno que viveu seu tempo intensamente e é capaz de se enfurecer ao vê-lo se apagar.
Em CD, a EMI juntou Os Planetas com uma gravação de 1970 das Variações Enigma, de Elgar, com a Sinfônica de Londres, a mais convincente gravação desta obra desde a do compositor e a de Toscanini. O par foi lançado como parte de uma série intitulada, sem exagero, "Grandes Gravações do Século". Boult, a última ligação com o renascimento musical inglês, morreu aos 94 anos, em 1983.

olst: Suítes Para Instrumentos de Sopro - Sopros Sinfônicos de Cleveland - Frederick Fennell - Telarc

A obra "Os Planetas" de Gustav Holst foi um presente para a indústria fonográfica. A grande suíte astrológica, que teve sua estréia mundial durante as últimas semanas da Primeira Guerra Mundial, foi usada como peça de ilustração para quaisquer inovações tecnológicas surgidas desde a gravação elétrica. Holst, um professor de música na Escola para Meninas de St Paul em Hammersmith, no oeste de Londres, ficou espantado com seu sucesso, pois se preocupava muito mais com a complexidade da textura do que com os efeitos espetaculares.
Homem humilde, de gostos simples, Holst adorava escrever suítes para bandas militares de sopros, retrabalhando melodias folclóricas com suave colorido rural e delicados contrastes de luz e sombra. As suítes eram raramente tocadas fora do âmbito das cidades mineiras inglesas, até que aconteceu uma mudança nos desígnios da gravação que lhes abriu as portas de um futuro brilhante. Ao final dos anos 1970, a invenção de Edison estava se tornando obsoleta. Os discos ficavam arranhados com facilidade excessiva, e qualquer sujeira superficial era amplificada pela aparelhagem eletrônica cada vez mais potente. Os cientistas procuravam um modo de evitar o contato da agulha através da conversão do som em dígitos de computador, lidos por um feixe de luz laser. Um professor americano, Thomas Stockham, patenteou uma máquina chamada Soundstream e testou-a no Festival de Ópera de Santa Fé. Dois cidadãos de Cleveland, Jack Renner e Robert Woods, pediram-na emprestada para o que seria a primeira gravação profissional que faziam, e tiveram o descaramento de pedir ao professor que a adaptasse às necessidades deles. Stockham, gentilmente, concordou, e o aparelho foi testado nas seções de palhetas, metais e percussão da Orquestra de Cleveland.
Os manuscritos originais das suítes de Holst reapareceram recentemente, após ficarem desaparecidos por décadas, e descobriu-se então que continham antecipações dos grandes temas de "Os Planetas". Os músicos de Cleveland tocaram com suavidade sedosa e uma gama dinâmica delicadamente calibrada, do pianíssimo ao fortíssimo, deixando maravilhados os ouvidos acostumados à compressão do LP. Este foi o primeiro lançamento digital em LP, Um tira-gosto para o que seria servido a seguir. Os críticos se entusiasmaram com a redução dos chiados e estalos e os fabricantes seguiram adiante com a pesquisa do som digital. Cinco anos se passariam até que o CD Mostrasse toda a vantagem do som digital, mas esta gravação foi o arauto, tal como Mercúrio entre os Planetas, o mensageiro da boa sorte.